Vigilantes monitorando e trabalhando para reduzir a violência

Vigilantes monitorando e trabalhando para reduzir a violência

“Então ela tem entendido que eu estou prestando atenção a ela e que quero oferecer  esse cuidado. Ela já sabe, já está sentindo que eu estou preocupada e quero saber”. Essas palavras, de Andrea Volkmer, da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, durante o VII Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio, explicam como é possível facilitar a fala à pessoa que está tentando esconder uma violência sofrida por estar com vergonha do que passou, por estar com medo de ser julgada ou estar de alguma forma sentindo culpa.

Os profissionais, especialmente os da saúde e da educação, precisam estar atentos e serem cuidadosos. Tanto quando a violência é física e pode facilmente ser reconhecida pelos nossos olhos, como também quando é mais difícil reconhecê-la, como nos casos de violência psicológica. A pessoa pode não verbalizar o que ocorreu, mas o corpo todo dela vai falar com sinais. A maioria das pessoas não chega dizendo: “Eu estou assim porque apanhei do meu marido” ou “Eu estou assim toda machucada porque meu pai me violentou sexualmente”. As pessoas não contam,  na maioria das vezes tentam esconder. Com isso, há necessidade de muita sensibilidade do profissional que a atender.

A violência é um fato social e humano. Quando se usa a força física intencionalmente, seja na forma real ou na ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa ou grupo de pessoas, e resulta ou tem a possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação temos um problema de saúde pública. Um fenômeno complexo e multicausal, sendo as desigualdades sociais e os aspectos culturais como machismo, sexismo, racismo e homofobia determinantes e condicionantes da violência.

Há no Brasil uma rede de vigilância epidemiológica da violência, envolvendo profissionais das secretarias de saúde, Ministério da Saúde, profissionais de saúde e da educação, entre outros.  Profissionais que atendem pessoas que sofreram algum tipo de violência devem fazer a notificação compulsória que permite: identificar casos de violência notificados; ver a magnitude do problema; caracterizar o perfil das violências segundo características da vítima, da ocorrência e do(a) provável autor(a) da agressão; identificar fatores de risco associados à ocorrência da violência; identificar áreas de maior vulnerabilidade para ocorrência de violência; monitorar os encaminhamentos; formular políticas públicas de prevenção, de atenção integral às pessoas em situações de violência, de promoção da saúde e estimular a cultura de paz.

Muitos profissionais ainda não fazem o registro, mas há um aumento considerável que já adota a prática e o que se pode observar é que mulheres e crianças sofrem mais violência. A notificação compulsória é ferramenta importantíssima para que se possa mapear a situação no Brasil e, conhecendo os fatores que desencadeiam a violência, trabalhar para reduzi-la. Algumas atitudes simples que já produzem efeitos, pois, por desconhecimento, muitas vezes, disseminamos histórias enraizadas em preconceitos. Andrea cita um exemplo: é comum amedrontar crianças dizendo que o homem-do-saco virá pegá-las. Nos mais de 100 mil casos de registros no banco de dados no Rio Grande do Sul, nenhum é de alguma violência causada pelo homem-do-saco. Por outro lado, muitos moradores de rua, pessoas com descrição parecida com a do homem-do-saco,  são vítimas frequentes da violência.

Sofrer alguma violência, seja ela física ou psicológica, é um fator de risco para uma outra violência: a  autoprovocada, que em muitos casos é o suicídio. Enfrentar a violência é um trabalho de formiguinhas. Disseminar o amor ao próximo e seguir o exemplo do bom samaritano é um trabalho de persistência.

Link para a palestra, apartir do minuto 49

Link para os slides da Andrea Volkmer

http://www.cevs.rs.gov.br/violencia

http://portalsinan.saude.gov.br/

Fernando

CVV Goiânia/GO

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