Qual o sentido da vida?

Desde que o homem existe, esta pergunta o ronda e as respostas são diversas. “Encontrar a si mesmo naquilo que se faz e conseguir se reconhecer – ou conhecer-se de novo nisso”. Essa é a definição de ter um propósito na vida dada pelo filósofo e professor Mario Sergio Cortella, autor de vários livros, entre eles Por Que Fazemos o Que Fazemos? – Aflições Vitais sobre Trabalho, Carreira e Realização.
Uma pesquisa feita por uma revista britânica de psicologia sobre o significado da vida para as pessoas traz dados interessantes: “aproveitar a vida enquanto puder” é o que pensam 17% dos pesquisados; “a vida simplesmente não tem sentido” foi a resposta de 11%; e “a vida é simplesmente um mistério” foi destacada por um pequeno grupo de 2%. “Amar, ajudar e prestar serviços aos demais” foi a resposta da maioria.
A revista Veja publicou, em setembro de 1999, o resultado de uma pesquisa americana, na qual se perguntava: “Se você estivesse na presença de Deus e pudesse lhe fazer apenas uma pergunta, o que indagaria?”. Quarenta e seis por cento dos entrevistados responderam que perguntariam qual o sentido da vida.
Para muitos de nós, o sentido da vida é algo distante. Muitos ainda não sabem porque vivem, ainda não encontraram um significado para sua existência. As consequências disso podem ser sentimento de vazio, insatisfação, infelicidade e impressão de estar perdido.
No geral, quando as pessoas estão felizes, dificilmente questionam o sentido da vida. Nestes momentos, a vida se justifica para a maioria. A razão da vida costuma ser questionada em momentos nos quais a existência parece não fazer sentido. Indaga-se seu propósito quando se está sofrendo, quando se está sob uma dor intensa, seja esta do corpo ou da alma. Quando se vivencia medo, solidão, depressão, tragédias ou perdas, certamente cresce em nós esta questão: qual sentido a vida tem?
Podemos observar que, na maioria das vezes, o que leva os seres humanos a questionar o sentido da vida não é a vida em si, é exatamente a parte da vida que se deixou de ter, a sensação do vazio, a sensação de que em um minuto tudo pode ser diferente, a impotência que sentimos em determinadas situações. Quando a vida não está acontecendo da forma idealizada, surge o sofrimento.
No livro “Em busca de sentido”, o autor Viktor Frankl relata: “Precisamos aprender que nunca e jamais importa o que nós ainda temos a esperar da vida, mas sim exclusivamente o que a vida espera de nós”. Dentro deste pensamento, nossa compreensão pode ser ampliada: cada um é único e singular, nenhum ser humano pode ser comparado com outro e nem pode ser substituído no processo, que é próprio de cada um.
Muitas vezes algumas coisas consideradas simples bastam: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia e amor que promove para que a vida faça sentido.
Em outros momentos, isso não é suficiente, pois culturalmente o sentido da vida está associado a harmonia e felicidade e, sem o sentir deles, a vida acaba perdendo o sentido para alguns. O propósito da vida passa, então, a ser preencher o desejo de felicidade. Cria-se uma expectativa e, quando a felicidade falha, a existência torna-se uma lamentável experiência, um grande sofrimento.
Então, qual o sentido da vida? Provavelmente não teremos uma resposta que satisfaça a todos. O que importa não é o sentido da vida de um modo geral, mas sim o sentido específico da vida de uma pessoa, em determinado momento de sua existência. Cada um tem sua vocação, sua missão pessoal, para a qual precisa executar tarefas específicas. E é neste ponto que a pessoa não pode ser substituída, somente ela pode realizá-la.
Buscar caminhos que façam sentido para nós é uma maneira de vivermos plenamente. O desafio é saber escolhe-los, e trilhá-los com o coração.
Eixo Comunicação CVV
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