O suicídio do povo indígena

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) apontou em relatório que o número de suicídios entre indígenas subiu 20% em um ano. Segundo os dados coletados, 2017 registrou 128 óbitos – 22 suicídios a mais que o ano anterior.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou uma média nacional de 5,7 óbitos para 100 mil habitantes. Na população indígena, foram registrados um número de óbito três vezes maior que a média nacional – são 15,2. Destes registros, 44,8% (aproximadamente, 6,8 óbitos), são suicídios de crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos. Ao contrário do panorama nacional, em que o maior índice é entre adolescentes e adultos de 15 a 20 anos.
Etnias
Os Guarani-kaiowá – presentes no Mato Grosso do Sul (MS) –, é o maior grupo étnico no Brasil e apresentam altas taxas de mortalidade por suicídio. No entanto, casos de suicídio em outras etnias vêm se alastrando cada vez mais.
Segundo a assessora do CIMI, Lucia Helena Rangel, lugares que aparentemente não haviam casos de suicídio já não estão mais ilesos; como é o caso das mortes no Alto Rio Negro, região noroeste da Amazônia; em São Gabriel da Cachoeira e Alto Solimões, no Amazonas, com povos como Tikuna e Yanomani.
A cidade de São Gabriel da Cachoeira lidera as estatísticas de suicídio por habitantes dos municípios brasileiros. Das 73 mortes registradas entre 2008 e 2012, 67 foram de indígenas. Das 67, 75% eram jovens.
Motivações
Em geral, especula-se muito sobre o porquê de as pessoas considerarem o suicídio como a única (e última) solução. Muitas teorias são feitas acerca daquela morte e daquele ser subjetivo e único que colocou um fim em sua própria vida. Em todos os casos, podem ser diversos os fatores que instigam e levam alguém ao suicídio. No caso dos indígenas não é diferente. No entanto, alguns possíveis motivos são levados em consideração pelos próprios membros das etnias.
Como é o caso do indígena Tuín, da etnia Guarani-kaiowá que, em entrevista para a Rádio Yandê, destacou a falta de terra; a falta de apoio do governo federal, estadual e municipal; a falta de agricultura; a falta de lazer de seu povo e o confinamento de muitos indígenas num pequeno espaço de terra como os principais motivos do aumento do suicídio entre seus companheiros da própria e de outras etnias.
Já para a OMS (Organização Mundial da Saúde), conflitos interpessoais; transtornos mentais; problemas familiares; abuso de substâncias e contextos sociais e culturais são alguns dos fatores que devem se levados em conta para a ocorrência de suicídio.
Para o CIMI, o que está por trás da grande taxa de suicídio entre os indígenas é um conjunto de fatores. O suicídio é englobado por complexos e profundos sentimentos de desesperança, em que o sujeito se vê numa condição que parece que ele não tem mais saída. No caso dos indígenas, as crianças e os jovens buscam o “pertencimento” a algo – não pertencem ao mundo branco regido pela ordem capitalista, mesmo que por vezes almejem o que o branco faz ou o que o branco tem.
Mesmo os indígenas que são orgulhosos de suas origens, raízes e tradições, por vezes são impedidos de vivê-las plenamente. Então, é nesse momento que os fatores sociais e individuais podem conduzi-los ao suicídio.
Infelizmente, não existe uma receita pronta para o combate do suicídio, mas existe, sim, formas de tentar minimizar o sofrimento existencial de outro indivíduo. No caso dos povos indígenas, seria importante uma tomada de consciência geral, não só no combate do preconceito em relações às suas origens e tradições, mas na criação de ações governamentais mais efetivas que garantam o pleno direito humano dos indígenas de existirem, resistirem e pertencerem!
Fernanda Martins (jornalista, colaboradora Blog CVV)
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