Dores-de-coisas e dores-de-ideias

Data15/05/2018 CategoriaAutoconhecimento

O escritor e psiquiatra Rubem Alves, citando o filósofo holandês Benedictus de Spinoza (1632-1677), lembra que “cada coisa, enquanto existe em si, esforça-se por perseverar no seu ser”. E acrescenta ele: “Ninguém deseja morrer. A vida deseja continuar a viver”.

Então, por que acontece o suicídio? Por que este abrir mão da vida com as suas facetas de alegrias e tristezas, aprendizagens e quedas? Por que interromper a trajetória da existência quando, além da próxima curva do caminho, poderá estar a resposta redentora? O fósforo que poderá acender o facho que iluminará novas perspectivas?

Alguém já afirmou que no túmulo de um suicida deveria existir uma permanente investigação. Por quê? Por quê?

No livro “O Amor que acende a lua”, Rubem Alves raciocina que se “você está com dor de dente, o dentista examina o dente e lhe diz que não tem jeito. A solução é arrancar o dente. Anestesia e boticão, o dente é arrancado. A dor desaparece. Você deixa de sofrer. (…) são as dores-de-coisas. Dores-de-coisas se resolvem tecnicamente, cientificamente”.

Contudo, avançando ele no seu lúcido raciocínio, esclarece que “a coisa fica diferente quando a dor que você tem é uma dor-de-ideia. Dor-de-ideia dói muito. São dores-de-ideia a ideia de perder o emprego, a ideia de ser feio, a ideia de ser burro, a ideia de que o filho vai morrer num desastre, a ideia de que Deus vai mandá-lo para o inferno, a ideia de que quem você ama vai traí-lo”. E conclui: “Dores-de-ideia são terríveis: causam ansiedade, pânico, insônia etc.

Ideias dolorosas! Como libertar-se delas e das imposições quase sempre angustiantes provocadas por elas? Nós, do CVV, não oferecemos aconselhamentos, mas, sim, uma escuta compreensiva, acolhedora, respeitosa, para que cada um busque em si os caminhos que desejar percorrer. Quer conhecer mais? Acesse cvv.org.br.

Bartyra- CVV Recife-PE

 

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