Caminhando em seus sapatos

Caminhando em seus sapatos

Você já pensou em viver por um tempo a vida de alguém, experimentar como alguém diferente de você se sente? Isto é possível e se tornou real na inovadora possibilidade criada pelo Museu da Empatia. O australiano radicado em Londres Roman Krznaric recentemente chamou  a atenção do público ao desenvolver trabalhos ligados a um dos temas mais recorrentes em uma era onde as redes sociais têm divulgado os discursos de ódio: a empatia.

Roman é filósofo, autor de “O Poder da Empatia” e já foi publicado em mais de 20 idiomas. Ele é o fundador do primeiro Museu da Empatia do mundo (http://www.empathymuseum.com). Baseado nos estudos de que os níveis de empatia caíram mais de 50% nos Estados Unidos nos últimos anos, o que não deve ser diferente em outros países, resolveu partir para a ação.

Inicialmente, criou um site onde artistas e designers do mundo todo possam compartilhar obras e pensamentos sobre o tema. Um dos projetos dele é “A Mile in My Shoes”, no Brasil nomeada “Caminhando em seus sapatos”. A ideia é simples. A partir de uma caixa de sapatos gigante à beira do rio Tâmisa, em Londres, visitantes podiam entrar, escolher um par de calçados doado por outra pessoa e andar por uma milha (cerca de 1,6 quilômetro) usando os sapatos alheios, enquanto escutavam a história dos antigos donos com um fone de ouvido.

A proposta é permitir que as pessoas literalmente se coloquem no lugar das outras e aprendam com as histórias. Este projeto tem a característica de ser itinerante e a exposição “Caminhando em seus sapatos…” chegou a São Paulo, e esta disponível paravisitação no Parque do Ibirapuera até o dia 17 de dezembro.

“A empatia é a força mais poderosamente perturbadora do mundo, só fica atrás do amor.” A frase é da professora canadense Anita Nowak, outra apaixonada pelo tema e como esse sentimento pode mudar a sociedade. Segundo pesquisa desenvolvida por ela na Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, o Brasil não é dos países mais empáticos do mundo. Somos conhecidos pela alegria e pela hospitalidade, mas quando falamos em se colocar no lugar do outro e tentar entender o que ele sente, ainda estamos muito longe do ideal.

O estudo analisou respostas de um questionário aplicado em 61 países, com 104 mil pessoas, que tentava medir compaixão e empatia em situações hipotéticas. O Brasil ficou em 51º na lista, atrás de países como o Equador, Arábia Saudita, Peru, Dinamarca e Emirados Árabes, por exemplo.

O interesse  de Roman com a empatia vem de um trauma de infância: ele perdeu a mãe aos 10 anos de idade, quando ela morreu de câncer de mama. E, assim, cresceu com grande dificuldade de se emocionar, chorar ou sentir as alegrias ou tristezas por outras pessoas. A realização de que isso estava conectado ao que aconteceu na infância o levou a uma busca pessoal para explorar e resolver a falta de empatia na vida familiar.

Para a pesquisadora Anita Nowak, a empatia é a chave para a sobrevivência da raça humana. Em tempos tão intolerantes, o exercício de se colocar no lugar do outro evitaria maiores problemas. “Infelizmente, como seres humanos cheios de falhas, nossa tendência é empatizar com pessoas parecidas conosco”. Assim,  desconhecidos em outras situações inspirariam menos empatia. É algo que deve ser superado se quisermos nos libertar da mentalidade “nós contra eles”, muito presente na sociedade hoje.

Esse tipo de pensamento de sair do “seu quadrado”, da “sua caixa”, se não experimentado, pode ter influência em cada guerra ou pequena disputa. “Se aprendemos a empatizar melhor uns com os outros, poderíamos conseguir a paz”, afirma. Anita conta que é preciso agir. Só sentir empatia não é suficiente, é preciso colocá-la em ação e deixá-la nos transformar.

Empatizar se torna um desafio, uma proposta e uma busca para quem se preocupa e se predispõe à solidariedade, ao respeito e a busca por dias melhores com menos intolerância e mais compreensão. E se quiser conversar sobre esse e outros sentimentos, acesse cvv.org.br.

Adriana

CVV-Araraquara (SP)

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