Há 49 anos o CVV - Centro de Valorização da Vida atende 1 milhão de pessoas ao ano que procuram desabafar angústias e tristezas
Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde em 2020 a depressão passará da quarta para a segunda colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo.
Há 49 anos o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza um trabalho de apoio emocional, auxiliando as pessoas angustiadas, tristes ou que se sentem solitárias.A angústia está cada vez mais presente nos dias de hoje. Ela se manifesta na dificuldade em lidar com o excesso de informação, com o excesso de oportunidades e escolhas, além de situações momentâneas de perda de alguém próximo, do emprego, alguma mudança importante no dia a dia.
O estresse da vida moderna, a ansiedade e a competição no trabalho, aumentam a violência nas grandes cidades e acabam estimulando uma sociedade mais individualista. As pessoas cultivam relações sociais mais frágeis, dificultando o contato em momentos difíceis. Segundo o Instrumento de avaliação de Qualidade de Vida da OMS (WHOQOL-100), que mede a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações, as relações pessoais, apoio social, auto-estima, sentimentos positivos são fatores que interferem no bem estar das pessoas.
Todos estes fatores acabam refletindo na dificuldade do indivíduo em falar sobre algum problema, em se expor, em procurar alguém de sua confiança, ou até mesmo de entrar em contato com seus próprios sentimentos. Por isso, a procura pelo CVV se mantém elevada, pois os voluntários do CVV procuram criar uma relação positiva com a pessoa que busca o serviço por meio do acolhimento e do “ouvir atento e compreensivo”. Este clima permite ao voluntário transparecer que, naquele momento, existe alguém disponível e preocupado com os sentimentos da outra pessoa, com foco nas emoções do indivíduo naquele momento.
Inicialmente criado para combater o suicídio, hoje o CVV entende que seu trabalho está cada vez mais voltado a ampliar o contato com a população em qualquer momento difícil. Recentemente, para ampliar o escopo de seu atendimento, o CVV criou o atendimento via chat. “Por meio da Internet, é possível ajudar até mesmo brasileiros que estão fora do País e aumentar o alcance do atendimento aos mais jovens, que possuem mais familiaridade e estão acostumados a se comunicar pela Internet”.
O suicídio é atualmente considerado pelo Ministério da Saúde um problema de saúde pública. Segundo dados da OMS, nos últimos 45 anos, a taxa de suicídio cresceu 60% no mundo. A cada ano 1 milhão de pessoas morre por suicídio, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, o mesmo que uma morte a cada 40 segundos. A previsão é de que em 2020 esse número seja de uma morte a cada 20 segundos.
O tema é uma preocupação global. No mundo inteiro existem ONGs que atuam na mesma linha do CVV, como os Samaritanos na Inglaterra, os Befrienders nos EUA, entre outros. No Brasil, este trabalho vem ganhando força e deve assumir papel importante perante a sociedade e as autoridades na medida em que aumentam os dados do impacto do suicídio na economia e crescem as evidências de que há como evitar essa enfermidade.
Sobre o CVVFundado em São Paulo em 1962, o Centro de Valorização da Vida, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973. A entidade presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar por sentirem-se solitárias, tristes ou angustiadas.
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Fernanda Dabori / Thais Franco
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