Seção: Painel livre
Artigo: O Medo da solidão
Autor: Joilson
Posto: Centro - Rio de Janeiro (RJ)
936/08/12/2008
Este é o título da matéria assinada pela jornalista Regina Navarro Lins, publicada no dia 30 de novembro de 2008 no jornal O Dia, o texto, nos convida para uma reflexão a respeito da solidão e de nós mesmos. Uma oportunidade de fazermos uma Vida Plena silenciosa. Todos nós sabemos, que há inúmeros casais solitários perdidos ou escondidos na multidão urbana.
Afirma a jornalista que "na busca da segurança afetiva, qualquer preço é pago para evitar tensões decorrentes de uma vida autônoma. Por medo da solidão muitas pessoas suportam o insuportável tentando manter a estabilidade do vínculo, e não raro se tornam dois estranhos dividindo o mesmo espaço físico. Como mecanismo de defesa, surge a tendência a não se pensar na própria vida". Tenta-se acreditar que casamento é assim mesmo. Mas, afinal, por que se teme tanto a solidão? O historiador inglês Theodore Zeldin assegura que "o medo da solidão assemelha-se a uma bola e uma corrente que, atados a um pé, restringem a ambição, são um obstáculo à vida plena, tal qual a perseguição, a discriminação e a pobreza. Se a corrente não for quebrada, a liberdade continuará um pesadelo". Segundo ele, a crença mais gasta, é que os casais não têm em quem confiar, salvo neles próprios, o que é tão infundado quanto a crença de que a sociedade condena os indivíduos à solidão.
Não há dúvida de que o medo da solidão é responsável por opções equivocadas de vida. Fazemos qualquer coisa para nos sentirmos aconchegados e protegidos por meio da relação com outra pessoa, tentando nos convencer de que assim não seremos mais sozinhos. A ideia, tão valorizada e difundida pelo amor romântico, de que devemos buscar um parceiro que nos complete, só contribui para que não enxerguemos o óbvio: a solidão é uma das nossas características existenciais. Aceitar isso talvez seja o primeiro passo para relacionamentos amorosos mais ricos e criativos, longe da expectativa de que o outro vai nos livrar da condição de solitários.
Para o terapeuta e escritor Roberto Freire "o risco é sinônimo de liberdade e o máximo de segurança é a escravidão. A questão, é que temos medo, os riscos são grandes e nossa incompetência para a aventura nos paralisa. Entre o risco no prazer e a certeza no sofrer, acabamos sendo socialmente empurrados para a última opção".
E assim, não raro, apoiamos no CVV pessoas tanto vivendo uma solidão a dois, quanto um estar só, de fato, sem ninguém para compartilhar o fluir da vida.
Joilson / Centro - Rio de Janeiro (RJ)