Seção: De olho na notícia
Artigo: Pressões podem levar um indivíduo ao suicídio
Autor: Comissão Redatora do Boletim
Posto: Comissão Redatora do Boletim
1097/23/11/2009
Viver um longo período sob pressões, quer sejam maltratos físicos, quer psicológicos ou de ordem moral, em quaisquer setores da atuação humana, podem contribuir para que certas pessoas passem a ter ideação suicida e até chegar à consumação do fato. O escritor alagoano Graciliano Ramos quando esteve preso no Rio de Janeiro (RJ), na década de 30, ante os fatos vividos, revelou no seu livro "Memórias do Cárcere: "...desejaríamos enlouquecer, recolher-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas idéias, repetidas, vexavam-me..."
Não faz muito tempo, uma série de suicídios de funcionários de uma operadora francesa muito repercutiu na mídia internacional. Em 29 de setembro de 2009, em Últimas
Notícias, da Redação Terra, este fato, sob o título "Chefe de operadora é pressionado após 24º suicídio na empresa" recebeu um enfoque mais aprofundado.
Desta vez a pressão recaiu, não sobre os funcionários, mas sobre o principal executivo da operadora na forma de pedidos para renunciar ao cargo depois de mais um suicídio cometido entre funcionários da empresa.
Relata a matéria que um empregado de 51 anos suicidou-se, sendo o 24º caso num espaço de tempo de 18 meses. As informações foram do jornal britânico The Times, que afirmou: "o homem deixou um bilhete antes de se jogar de uma ponte, culpando a "atmosfera" de seu trabalho pelo ato. Assim como casos de suicídios anteriores, o homem havia sido transferido de função dentro da empresa e, aí, teve início uma "maratona" de cobranças para que metas fossem alcançadas".
Poderíamos indagar: a cobrança de metas não são essenciais para o desenvolvimento de uma empresa ou instituição? A resposta é simples: tudo depende da maneira como são feitas tais cobranças. Ameaças, humilhações, exigências acima da capacidade de serem cumpridas por parte do cobrado podem gerar um clima de desespero e angústias insuportáveis para ele. Um colega de trabalho do último suicida da operadora disse a uma rádio francesa que o homem assegurava que o trabalho exercido por ele não era para as suas condições.
Tanto fora do Brasil como aqui, devemos intensificar a divulgação dos serviços de apoio, nos treinamentos, nos seminários internos e nas Semanas Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT). É necessário o fácil acesso às informações que devem estar disponíveis para todos os funcionários, independentemente das funções que exerçam; pois estes estão a maior parte do tempo reclusos à empresa.
Comissão Redatora do Boletim
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