Seção: De olho na notícia
Artigo: Intoxicação: mais uma forma de buscar o suicídio
Autor: Caco
Posto: Ribeirão Preto (SP)
1049/13/07/2009
A revista "ÉPOCA", edição 577 de 05/06/09, na secção "Saúde", afirma através do jornalista Ricardo F. Santos que um quinto dos casos de intoxicação são tentativas de suicídio. E acrescenta que "em um ano, mais de 20 mil pessoas tentam se matar ingerindo substâncias tóxicas. Cerca de 60% utilizam medicamentos, e o resto das tentativas dividem-se entre a ingestão de raticidas e agrotóxicos".
Esses dados foram divulgados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).
Rosany Bochner, coordenadora do SINITOX, diz que as tentativas de suicídio são um problema grave, afirmando que "é uma coisa complicada de lidar, tem agente tóxico por aí que é barato, de fácil acesso e de alta letalidade, ou seja, difícil de controlar". Segundo ela, dos 37 "Centros de Informação e Assistência Toxicológica" espalhados pelo país, apenas uma minoria conta com psicólogos em suas equipes. "Uma pessoa que se intoxica querendo dar fim à vida, mesmo que seja curada, geralmente vai tentar de novo se não receber aconselhamento apropriado", diz. E ainda elucida que "o tratamento psicológico é a melhor saída para diminuir o número de atentados contra a própria vida".
O CVV, que apesar de ter o seu quadro de atendentes formado por voluntários leigos no que diz respeito à formação de profissionais da área de saúde e, como consequência, não oferecendo tratamento psicológico, mesmo assim sabe da importância do que assevera Rosany Bochner, visto que a cada apoio oferecido percebe a necessidade daquele que liga de ser ouvido, acatado, compreendido e não julgado.
Com Carlos Eduardo Estellita-Lins, pesquisador da FIOCRUZ, Rosany tem um projeto de estudar os casos de suicídio no Brasil, e aliar a psiquiatria ao seu trabalho. "O homem dá menos indícios de que quer se matar, mas, quando se mata, utiliza agentes tóxicos mais letais. Já a mulher demonstra maior mudança de comportamento, porém utiliza agentes menos tóxicos, como remédios", aponta ela.
Isso dá indícios de que algumas conclusões podem direcionar políticas de conscientização da população. Os medicamentos estão envolvidos em 30% dos casos de intoxicação, independentemente das circunstâncias. O que gera essa situação é a forma banal como são tratados. Por conta disso, a faixa etária mais atingida por agentes tóxicos é de 1 a 4 anos. "As pessoas têm cerca de 20 medicamentos diferentes em casa, muitos mal utilizados e, pior, mal guardados", afirma Rosany. Para esses tipos de intoxicação, ela diz que a prevenção é possível com mais campanhas de alerta aos pais, como mensagens obrigatórias em propagandas e rótulos.
Caco / Ribeirão Preto (SP)