Seção: Painel livre
Artigo: Este nosso tão “desconhecido” suicídio
Autor: Josiana
Posto: Salvador (BA)
1039/22/06/2009
Em tempo de tanta comunicação, visto que nada passa despercebido mundo afora, em minutos ficamos informados do que acontece do outro lado do planeta. Contudo, ao mesmo tempo, muitas vezes nos deparamos com a falta de comunicação, pois não sabemos o que está acontecendo com quem mora na nossa casa, senta junto à mesa, porque, "coração é terra que ninguém vai" e não há tecnologia que ouça verdadeiramente o que se passa no íntimo das pessoas.
Daí, no CVV, apesar de estarmos preparados para qualquer tipo de apoio, muitas vezes a ideação suicida de quem nos liga, surpreende-nos embora saibamos que ela é verdadeira e se trata de uma forma transparente da pessoa mostrar que precisa comunicar-se conosco. E esta comunicação chega de forma contundente, drástica, dolorosa e nem sempre sabemos o que fazer, como agir.
Há em todo ser humano a vontade de ser feliz, de plenitude, de realização. Para algumas pessoas, essa vontade está subjugada a uma outra força imperiosa, impulsionando-as para a morte, para deixar de existir, dar um basta à vida, como se elas dissessem a si próprias: "Não quero mais viver". E o questionamento viver ou morrer se instala nas mentes destas pessoas. O que percebemos nesta indagação é uma ambiguidade, um sofrimento crescente e profundo que só quem o vive sabe até aonde vai e, assim, acaba por chegar o momento da escolha. É tênue essa linha, é difícil saber onde estão as fronteiras da escolha.
Ao pensar nessa dor, nesse sofrimento, o que se apresenta ao indivíduo é o imenso desejo, não de morrer, mas parar de sofrer, deixar para trás tudo que é pesado, doloroso e que fere. Difícil compreender onde está o botão que aciona essa decisão, em que momento o morrer torna-se efetivamente a decisão e o fato é consumado.
O CVV nasceu para prevenir o suicídio. É um objetivo audacioso. Um grupo de pessoas que se determina a doar seu tempo, calor humano, para realizar a prevenção.
Contam os fundadores que ao iniciar o trabalho ouviram de alguém: "Se em 100 anos o CVV salvar uma vida, o trabalho valeu a pena".
Hoje, 47 anos depois, não nos apegamos às estatísticas e nos perguntamos se isso já aconteceu, mas, por outro lado, temos a esperança de que muitas pessoas nunca pensaram em suicídio, porque, verdadeiramente, o CVV está fazendo essa prevenção no tempo e no espaço necessários.
Josiana / Salvador (BA)