Seção: De olho na notícia (2/2 – publicar em março/2010)
Artigo: É preciso cautela ao lidarmos com a problemática do suicídio
Autor: Helio
Posto: Ribeirão Preto (SP)
1110/18/01/2010
Especialistas, em reportagem no Zero Hora (RS), de 10 de dezembro de 2009, consideraram inoportuna e perigosa a divulgação através de sites e agências de notícias de trechos da carta-documento da famosa atriz que se suicidou no início de dezembro.
A doutora em psicologia Blanca Susana Guevara Werlang, coordenadora do Grupo de Prevenção e Intervenção em Comportamento Violento, da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), "defende que os meios de comunicação devem falar em suicídio, mas sempre no viés recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS): de orientação, educação e prevenção. A divulgação do ato suicida, inclusive com o agravante da publicação de trechos da carta, sem propósitos educativos pode ser um disparador para quem está em situação de vulnerabilidade, de sofrimento psíquico”.
O psicanalista Mário Corso considerou grave a notícia: "Não tem de publicar isso. Não é esclarecedor e não traz vantagem para ninguém. A pessoa deprimida que lê a carta pode se sentir traduzida e motivada por ela. Quem está namorando a ideia da morte e vê esse exemplo, pode reunir coragem", alerta. O Dr. Corso observa ainda que, no imaginário popular, virar artista de emissora famosa e ser reconhecido na rua, como a atriz, representa o ápice do sucesso. "A pessoa pensa: se ela que é famosa e linda se mata, por que eu que não sou nada disso não vou me matar?", diz ele.
O chefe de saúde mental do Hospital de Pronto Socorro, Jair Segal, também reiterou que a divulgação da carta da atriz, por ser uma pessoa nacionalmente conhecida, pode influenciar milhares de pessoas por todo o país: "Pode ser uma escolha, uma definição de problemas para muita gente".
Falar de suicídio, como faz o voluntário do CVV, com quem revela implícita ou explicitamente o desejo de consumar esse ato, poderá salvar uma vida, porque o espírito de compreensão do sofrimento que atormenta a quem quer matar-se, poderá contribuir (e muito) para o alívio das dores. Entretanto, jamais deverá haver a exploração do fato de forma curiosa e inoportuna.
Helio / Ribeirão Preto (SP)