Vidas salvas em uma conversa

Por meio do telefone, internet ou pessoalmente, voluntários do CVV ajudam a evitar inúmeros casos de tentativa de suicídio

 

Bom Dia ABCD - 4/1/12
Evandro Enoshita
evandroe@ abcdbomdia. com. br
Uma ligação, uma visita. A necessidade de desabafar. São 30, 40 minutos ou mais de conversa que podem representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a rotina enfrentada pelos voluntários do CVV (Centro deValorização da Vida) a cada atendimento. Para eles, o ato de ouvir um lamento, uma frustração ou um pedido de socorro espiritual é quase um trabalho de ajuda humanitária.

“É como se fosse um pronto socorro emocional. Trabalhamos oferecendo um ouvido amigo, um espaço em que a pessoa possa 'esvaziar o copo’. Dizer o que está sentindo” , comentou o engenheiro Carlos Alberto Correia, 58 anos, voluntário do CVV há quase vinte anos.

ATENDIMENTOS /O anonimato é garantido, tanto para os voluntários quanto para quem procura a entidade. Os detalhes das conversas também não podem ser revelados. Por telefone, carta ou pessoalmente. Diariamente, o CVV de São Caetano realiza uma média de 80 atendimentos.
“O ideal seria que não precisasse existir um CVV, mas a realidade não é essa. Muita gente não sabe da nossa existência. Guarda para si os problemas”, explicou Correia.
VOLUNTÁRIOS /A unidade de São Caetano é uma das três existentes no ABCD (as outras estão em Santo André e São Bernardo),mas é a única que fica disponível para atendimento 24h, devido à falta de voluntários. Por essemotivo, o CVV está sempre em busca de pessoas dispostas a fazer os atendimentos.
Mas ouvir os problemas dos outros exige mais do que apenas dedicação. É preciso ter muito preparo para aguentar a rotina de 4h de atendimentos semanais.
“Muita gente diz que quer ser voluntário porque muita gente lhe pede conselhos.Mas o nosso trabalho não é esse. Estamos aqui para ouvir. Por isso é preciso ter preparo emocional, estar pronto para qualquer tipo de situação”, afirmou o voluntário. No caso de Carlos, foi a vontade de fazer um trabalho voluntário que o levou ao CVV.
“Depois de todos esses anos, me tornei uma pessoa mais tolerante. Quando cheguei aqui, não era esse o meu objetivo principal. Acabou se tornando um benefício colateral”, completou.