Vida em Risco

Saiba identificar alguns sinais de risco para o suicídio depois dos 60

03/11/2011 - www.maisde50.com.br

 

Tirar a própria vida, dar a morte a si mesmo, privar-se de viver. As denominações são várias, mas a realidade é uma só. E preocupa. Hoje, o suicídio é um problema real na sociedade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem um órgão chamado SUPRE – Suicide Prevention (ou Prevenção do Suicídio, em tradução livre), que coleta informações sobre casos de suicídio no mundo. De acordo com a SUPRE, a cada ano, mais de um milhão de pessoas morrem vítimas do suicídio, o que corresponderia a uma morte a cada 40 segundos.

A SUPRE ainda mostra que as maiores vítimas são os homens idosos e que o suicídio em pessoas idosas é subestimado numa taxa de 20 a 25%. Segundo a OMS, alcoolismo e depressão são os fatores de risco mais importantes. A depressão ainda é uma doença que atinge principalmente pessoas idosas. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), aproximadamente 10 milhões de brasileiros sofrem com depressão e 10% da população idosa mundial apresenta quadros depressivos.

O fato de a depressão ser um fator de risco não é surpresa para especialistas. De acordo com o voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) Carlos Alberto Correia, "a pessoa com depressão se sente abandonada, sozinha, não consegue enxergar um caminho". Para o psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) Carlos Salgado, "ter vínculos, de trabalho, família e amizades preserva o amor à vida. Depois dos 60 anos, perdem-se crescentemente todos esses vínculos e o suicídio vai se mostrando como uma opção".

Especialistas de todas as áreas concordam que pessoas que tiram a própria vida mostraram, previamente, sinais que tinham essa intenção. Segundo Salgado, "a tentativa prévia é o mais forte indicador. Fazer novos seguros de vida, falar sobre suicídio com argumentos racionais em favor, comentar insistentemente casos sabidos, teorizar sobre ele, desqualificar valores pessoais, isolamento social, sintomas depressivos, envolver-se em situações e condutas de risco e abandonar tratamentos médicos são alguns sinais". Para Correia, o suicídio não é um ato impulsivo. "A impulsividade seria a gota d'água. Acho que esse impulso, esse gatilho, veio porque não tem espaço suficiente dentro de si para assimilar aquilo", diz.

Quando se fala em saúde do idoso, a presença de um cuidador profissional ou familiar é de grande importância para ajudar a manter seu amor pela vida e perceber sinais que podem indicar um desejo de suicídio. "Manter atenção, programar o futuro, provocar desafios adequados ao idoso, abrigá-lo em ambiente estimulante, manter disciplina de autocuidado, oferecer carinho, reassegurar explicitamente o valor da pessoa e manter comemoração de datas significativas, além de estimular amizades de valor são boas maneiras que o cuidador tem de, de fato, cuidar da vida do idoso", enumera o psiquiatra.

O voluntário da CVV explica que o trabalho do Centro é funcionar como uma "válvula de escape", um ombro amigo. "Nossas emoções funcionam como um copo, que vai se enchendo à medida que novas coisas acontecem conosco. Conversar, desabafar, extravasar as emoções são formas de aumentar o espaço desse 'copo'. O trabalho do CVV é justamente ouvir a pessoa, ser um ombro amigo, que a pessoa pode confiar e falar o que a está incomodando. O que chamamos de 'pronto-socorro emocional', é um trabalho preventivo, impessoal, sem julgamento e com paciência ilimitada e incondicional", descreve Correia.